quinta-feira, 15 de abril de 2010















Via Cruzes: A Machado



Toda cidade que dorme: merece seus pesadelos



O desgosto enche copos

E esvazia garrafas

A dor desce logo

Arranhando as vidraças



Não fica pedra sobre pedra

Na calçada



A rua deserta flerta

Com meia dúzia de corpos

Talvez alguns poetas

Ou vampiros assustados



Não fica pedra sobre pedra

Na calçada



Brincar com os amigos

Termina em um ouvido atordoado

Nem todos que se abraçam

estão já perdoados



Não fica pedra sobre pedra

Na calçada



Amanheço no centro de triagem

Do inferno:

Dois olhos famintos

No álcool mergulhados



Não fica pedra sobre pedra

Na calçada



Saio dessa vida, não mais volto

Querem brincar de morrer: morram

Pareço mais preso do que solto

Os que ainda puderem me socorram.


Julio Almada, Poemas Mal_Ditos

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