terça-feira, 3 de novembro de 2009
















Parte arrancada


O ódio bebo de dentro pra fora.
O medo bebo de fora pra dentro.
De noite não é o olho que chora:
É o estouro da represa do tempo.

meus monstros ainda os vejo;
Eles ainda me apagam sempre;
Mas agora só olho o presente,
me achando de novo no espelho.

nunca deixei de ser muitos:
aqueles muitos que eu não era:
os espanco onde antes houvera:

mortes sem vida sem primavera:
delirios e pesadelos abruptos.
E renasço da flor de meus lutos.

Julio Almada, Poemas Mal_Ditos

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